Cascavel de Ouro: uma aula de automobilismo

Enquanto o assunto mais comentado no fim de semana foi a aposentadoria de Felipe Massa, em Cascavel acontecia um dos episódios mais bonitos do automobilismo brasileiro nos últimos anos.

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Em contraste com a temeridade de não termos pilotos brasileiros no grid da F1, tivemos uma amostra de força do esporte a motor chamado amador, com grid cheio e corrida de primeiríssima com a Cascavel de Ouro 50 anos.

Não teve tecnologia, era Golzinho, Ka, Celtinha, Corsa e Fiestinha pelados engaiolados e envenenados. Nem glamour, eram apenas 100 mil e teve equipe que gastou mais do que isso nesta prova.

Não teve a Rede Globo e suas grandes marcas, como ela diz na propaganda do GP do Brasil, mas teve uma Bandsports em rede nacional por três horas e uma condução deliciosa de Luc Monteiro (pessoa melhor para isso não havia) e Eduardo Homem de Mello, sem esquecer do Osires nas infos de pista.

Tivemos muita chuva no fim de semana, goteiras até na cabine de transmissão, teve gente abastecendo com a mangueira vazando álcool, muitos acidentes, muitas rodadas, muitas disputas, algumas barbaridades inseguras e um vencedor que ninguém dava nada mas foi lá e venceu pela terceira vez largando de 33º.

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Tivemos muitos figurões, mas nenhum deles figurou entre os primeiros. Porém, todos abrilhantaram muito o espetáculo e contrastaram com outros que também contribuíram para o caos. Todos por um único motivo: a paixão pelo esporte.

Tão simples… e tão legal! Durante todo o fim de semana estava na cara de todo mundo a felicidade por competirem em um nível tão alto com um equipamento tão acessível e simples, totalmente diferente dos Stock Car da vida. Na transmissão da prova a dupla Luc e Edu até brincou com tanta gente confirmando presença no ano seguinte por mensagem.

Aquele Sensei Sushi Bar que patrocinou carros de pilotos bons de pista e redes sociais, diga-se de passagem, deu uma aula de publicidade. Não ganharam porcaria nenhuma, mas certamente seus carrinhos pretos e dourados e o bonezinho que vi na cabeça de todo mundo causaram e chamaram a atenção.

Pena que tudo isso semana que vem já acalma de novo. Os campeonatos de turismo 1.600, caracterizados pela tração dianteira vêm crescendo aos poucos com a nova gestão da CBA, mas ainda ocupam uma posição muito marginal e amadora no mapa do automobilismo brasileiro, uma vez que as equipes são enxutas, o orçamento baixo fomenta o uso de carros manjados como o Gol bolinha dos anos 90 e não há um incentivo (nunca haverá) de montadora alguma. Sua versão gourmet e genérica, o Brasileiro de Marcas, sem apoio de marca nenhuma, corre sérios riscos de não seguir em 2018.

E podemos dizer que a Cascavel de Ouro é a prova mais importante do automobilismo brasileiro sem sombra de dúvida.

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Fotos: José Mário Dias/Grelak Comunicação