Dez anos do início do GT3 Brasil. Sem festa, sem fotos, sem vídeos, sem nada.

Há dez anos surgia um dos campeonatos mais encantadores que já passaram pelo automobilismo brasileiro. Pena que nesta data estamos apenas relembrando e não comemorando dez anos de existência, pois essa brincadeira acabou no fim de 2012.

O conceito era sensacional e importado da Europa: carros das principais montadoras do mundo competindo em igualdades de condições por meio de um regulamento que amarrava todo mundo – cabia a cada piloto escolher o carro que mais se adaptava ao seu estilo.

E haja marca: Ferrari, Porsche, Lamborghini, e Dodge eram as que estavam no grid na época. Depois viriam Maserati, Lotus, Ford, Ginetta, Mercedes e diversos modelos diferentes.

A fórmula eram de duas corridas de uma hora com troca de pilotos e tempo mínimo de permanência nos boxes. Nem sempre as corridas eram empolgantes, mas era um espetáculo ver debaixo do nariz um campeonato com tantos carros que só eram vistos pela televisão.

Enfim.

Teve um auge em 2008 e minguou até 2012 principalmente por problemas políticos e internos. A equalização nunca agradava e a coisa piorava pois muitos dos organizadores corriam ou tinham filhos ou equipes na pista.

No fim da vida, rolou uma ruptura, um campeonato alternativo que também não vingou (neste caso a crise entrou no meio junto com a desconfiança) e hoje se transformou no que é o Endurance Brasil.

Foi o campeonato que trouxe Andreas Mattheis, Xandy Negrão, Alencar Jr., Wilson e Emerson Fittipaldi (juntos) de volta ao volante. Que fez o cineasta Walter Salles mostrar seu lado competidor e enfrentar as coletivas de imprensa – logo ele, sempre reservado.

Fui atrás de material para ilustrar. A ideia era reviver a primeira corrida, fazer um vídeo legal para movimentar a semana.

Mas não encontrei quase nada.

Fotos, pouquíssimas. Vídeos, só amadores. As íntegras de todas as corridas morreram com o campeonato. A cronometragem possui tudo, mas não libera fácil – não é qualquer um que tem acesso.

Algo incrível vindo de um campeonato extremamente bem divulgado, pioneiro na exibição de corridas online. Quando falam que a internet perpetua, neste caso acredito que sejam só as cagadas, pois as coisas legais ou somem ou possuem direitos autorais.

Uma pena.