Insegurança do Velopark colaborou bem para acidente na Stock Car

Confesso a vocês que não é nada gostoso estar no olho do furacão quando acontece algo ruim no esporte. E não foi nada agradável viver a história que envolveu Lucas Foresti, Antonio Pizzonia e outros personagens na etapa de domingo do Velopark.

A parte do acidente e do julgamento do piloto nem vou entrar em questão, pois foi algo discutido largamente nos últimos dias. Eu volto é a reiterar minha discussão sobre a necessidade de Spotters no automobilismo brasileiro. No caso de Pizzonia, sua parcela de culpa é não ter mostrado um pouco mais de calma na situação – algo que causou enorme estranheza a muitos, pois ele já enfrentou coisa muito pior e mais difícil na carreira. Mas quem sou eu para julgá-lo não estando naquela situação. Falar de fora é fácil, claro. Um dos grandes nomes e mais divertidos do paddock, com certeza, que não merece ser crucificado desta forma. Este é um ponto.

Assim como não devemos julgar o Guilherme Ferro, outra grande figura humana, que estava com ele no rádio. Houve uma falha grave, mas isso deve ser levado como ensinamento e aprendizado, levando em conta que ninguém se machucou e os danos foram apenas materiais. Assim como o piloto, o engenheiro e chefe de equipe também é competente e capacitado para a função. Tanto que o Guilherme é um dos melhores da área, tendo carregado a C2 do zero e sendo contratado para gerenciar a equipe Prati junto com a família Mattheis.

Só que tem uma coisa que eu vou esculachar sem dó. O Velopark.

Não quem organiza, nem quem administra, nem nenhuma pessoa que trabalhou lá no fim de semana, mas o infeliz que acha seguro até hoje o uso daquelas lombadas (ou tartarugas) para evitar que os pilotos cortem a segunda perna da primeira chicane.

Lombada. E na grama.

Quem em sã consciência deixa carros disputarem a 200 km/h e correrem esse risco, pois carro é uma máquina e ela pode deixar você na mão nas piores horas. Escolhi a foto ao lado pois dá pra ver o estrago que faz, pois o Cesar Ramos não tem nada a ver com isso e foi vítima igual, já que a foto é da primeira corrida do fim de semana, do Duda Bairros.

Se já é difícil controlar o carro ao sair na grama, a lombada vira um crime naquela questão. Não só um crime como algo que realmente pode e consegue quebrar um carro.

Pra começar aquela região inteira deveria ser asfaltada. O autódromo inteiro, que foi planejado, é um banho de asfalto e bem ali é de grama. Ao invés de lombada eu asfaltaria tudo e criaria regras de punição para quem tirasse proveito, pois ficou provado que é o meio mais seguro de se evitar acidentes e controlar o carro em questões de toques e rodadas.

Assim como aquela saída de box perigosíssima que gerou dois acidentes que poderiam ter sido sérios. Para o azar da pista, as duas coisas (sem contar a roda voando do Marcio Campos, outra coisa assustadora, e o mini incêndio do Max Wilson) aconteceram justamente no mesmo dia e todo mundo respirou aliviado na bandeirada pois sabíamos que poderia ter sido bem pior.

Os pit stops na escorregadíssima (não era só escorregadia) pista de arrancada também preocupavam todo mundo – nesse caso a cautela extra de todos imperou.

Se essa for mesmo a última corrida do Velopark, como cravou Lito Cavalcanti no SporTV, essa despedida foi mais que amarga.