Spotters – existe lugar para eles no automobilismo da escola europeia?

No mundo de hoje, onde é possível dissecar eventos que acontecem ao vivo ao mesmo tempo, não consigo encarar esse acidente da F4 que se igualou a vitória de Vettel como o assunto do domingo como sendo algo comum ou inevitável. E uso justamente o exemplo dos EUA para comprovar.

Isso nem sempre salvou vidas como no caso de Dan Wheldon pela velocidade dos acontecimentos mas é muito, muito útil e evita os outros 95% de tipos de acidentes que podem acontecer. Como desviar de um carro parado, o que aconteceu na F4 com Billy Monger que atropelou o carro de Patrik Pasma e se machucou feio, precisando de duas horas para ser retirado das ferragens.

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O mais curioso é que no campo de visão do piloto até dava para reparar que na frente tinha um cara lento, mas a dinâmica da situação, com vários carros em volta, o fez focar no que estava exatamente à frente. E um spotter o teria evitado de passar os próximos meses com as pernas engessadas.

Nos EUA é moleza, circuito oval o cara sobe na arquibancada mais alta e fica lá até o fim da corrida no ouvido do piloto. No automobilismo europeu, com essas pistas enormes e longas, isso é bem difícil. Mas a modernidade da tecnologia tem de dar um jeito de ajudar.

Seja com drones, com câmeras de monitoramento, câmeras onboard, imagens de helicóptero ou até diversos spotters espalhados pelo circuito, acredito que essa “voz na consciência” deveria ser cada vez mais presente nos esportes a motor. Pode ser que não 100% do tempo, mas para alertar sobre situações de perigo.

É algo que poderia ser discutido e trabalhado com as federações e os diretores de prova. Aqui no Brasil, salvo Curvelo, quase todos os autódromos possuem algum ponto de onde é possível visualizar toda a pista sem ser a torre de controle. Mas se tiver que usar ela, também, se for em prol da segurança, deveriam liberar.

Carros e pistas são lotados de sensores que identificam posição, velocidade, dos pilotos e concorrentes. E, quando a tecnologia não ajuda, tem o melhor instrumento do mundo, os velhos e bons olhos. Por isso ainda aperto na tecla que bater em carro parado hoje em dia é ridículo.

PS: e isso não seria “nutellar” o esporte. Se usamos a tecnologia a nosso favor no desenvolvimento dos carros, deveriamos fazer o mesmo para a segurança e a comunicação entre carros, equipes, spotters e direção de prova durante a corrida. Para mim é tão natural utilizar a tecnologia como faz o basquete e o futebol americano; assim como é de uma burrice cavalar o conservadorismo do futebol.