Notas – GP do Bahrein

O grande ponto da corrida no Bahrein foi o péssimo trabalho da equipe Mercedes no primeiro pit stop, que fez Bottas perder a liderança e rendeu a Hamilton cinco segundos de punição. A partir de então a vaca foi pro brejo e a Ferrari, mais acostumada a errar nos últimos anos, pôde sentir o gosto sabor da perfeição.

E o mais importante: foi a confirmação de que ela está bem na briga pelo título, levando em conta apenas essa primeira parte da temporada. Por isso, acumular bons pontos antes da temporada europeia é primordial. Outra coisa: a superioridade de Vettel sobre Raikkonen (que não anda se dando bem com os pneus) vem sendo algo bem notável, pois todo mundo esperava que, se a Ferrari estivesse boa, seria um ataque em conjunto.

Mesmo assim, está muito no lucro e até evita constrangimentos futuros, como preterir Raikkonen à favor do Vettel e fará a Ferrari trabalhar do jeito que melhor sabe: privilegiando um piloto.

A Mercedes, tadinha, só se embananou e pode ter criado um problema maior ao ter feito Bottas abrir para Hamilton DUAS vezes. Isso após ele ter feito a pole e perdido a liderança por um erro da equipe. A cara dele no pódio, de quem pagou todo o pato do fim de semana, mostra bem isso. E agora é a hora em que ele precisará ter uma postura, senão ficará tão marcado quanto Massa, Webber e Barrichello ficaram quando tiveram de se sujeitar a isso.

A Red Bull segue andando no bolo mas notadamente falta aquele algo mais. No caso de Verstappen, faltou maturidade para falar sobre Massa. Se ele soubesse o nível de ferocidade que toma conta do Brasil nas redes sociais, pensaria duas vezes antes de falar. Agora todo o encanto de muitos por ele foi para o saco e, como provavelmente ele não pedirá desculpas (espero queimar a língua), vai ficar queimado. E Massa não poderia ter sido mais elegante: sabe que ele não se importa com isso, mas os torcedores, sim. E jogou a batata em cima dele. Agora ele vai ter de lidar com as enxurradas de xingamentos que ele certamente já vem recebendo. A sorte dele é que o GP do Brasil ainda está bem longe.

Já Ricciardo não conseguiu fazer o carro render conforme a noite foi caindo e a temperatura baixava. Seus pneus não funcionaram e, para quem chegou até a pensar em vencer, o quinto lugar foi uma bela sapatada.

A Williams teve uma corrida irrepreensível. Dentro de suas limitações, Massa se colocou entre os seis e foi o primeiro do resto. Andou forte e só ficou esperando os erros dos rivais. Agora é torcer para isso se tornar algo regular, pois, numa dessas, rola até um pódio. Já Stroll desta vez não teve culpa alguma em seu acidente e poderia até ter beliscado algum ponto.

Quem vem sabendo se aproveitar das situações, algo que está sendo comum, a Force India voltou a pontuar com seus dois carros rosas. Perez saiu em 18º e foi oitavo. Uma puta corrida com direito ao palavrão de forma bem dita. Ocon acabou, como muitos, prejudicado pelo safety car mas mesmo assim se conservou na zona de pontuação por mais uma corrida. Novamente faltou acertar na classificação.

A Haas representou com Romain Grosjean. Enquanto Magnussen deixava a prova com o carro quebrado, o francês vem se estabelecendo na briga pela segunda metade do “top 10”, estando lá nos treinos e na corrida no Bahrein. Maior prova de que estão no caminho certo é impossível.

Quem tem muito nome mas não vem representando, por sua vez, é a Renault. O carro é lindo, Hulkenberg manda muito e este nono lugar devia ser visto como derrota, não como vitória. Para uma equipe como a Renault, é muito pouco. Assim como Palmer, bem abaixo do que ela merece.

A Sauber aparece logo a seguir nessa ordem decrescente de análise. Depois de meses parado, ser 11º foi um resultado e tanto para Pascal Wehrlein. Ericsson abandonou sem culpa, mas este resultado pode ser visto com muito bons olhos pela equipe suíça. O ano deles pode ter começado agora.

A Toro Rosso, que apresentou potencial na classificação, teve um dia para esquecer. Kvyat ficou preso e enrolado com Palmer e Alonso e não conseguiu nada melhor que um 12º lugar; já Sainz, bem, fez a cagada da corrida, achando que todo mundo deveria dar espaço pra ele passar. Por isso ambos ainda seguem no time B da Red Bull.

Por fim, a McLaren… Deixa pra lá! Torço muito para que ela saia dessa o quanto antes – o que é difícil. Triste ver três grandes instituições do automobilismo (McLaren, Honda e Alonso) tendo o nome tão queimado e precisando criar ações de marketing de guerrilha como a da participação na Indy 500.