Tivemos sorte. Mas por quanto tempo?

Depois de semanas de especulação, a Williams não só confirmou a volta de Felipe Massa como entregou a ida de Valtteri Bottas para a Mercedes, algo também que não era nenhuma novidade nos dias de hoje.

Se para muitos isso significou apenas o fim da novela sobre a vaga da Mercedes, para nós do automobilismo brasileiro isso significou um golpe de sorte dos grandes e que dificilmente se repetirá. O que é ruim, pois, como todos nós sabemos, temos um buraco na “timeline” dos pilotos rumo à F1.

Temos uma bela leva surgindo na F3 com a turma recém-formada por aqui que vai se aventurar no Euroformula Open, além de um aqui na GP3 e outro acolá na FV8. Porém não temos garantia sobre nenhum deles (e não adianta nem levar Piquet ou Fittipaldi no sobrenome) e, a curto prazo, estamos ferrados.

Não fosse a volta de Massa, teríamos um grid sem brasileiros desde 1970. Afinal, juntando A + B já está claro que Felipe Nasr não será titular a não ser que a Manor pise em cima do orgulho e aceite a grana e o trabalho do brasileiro – que, em dois anos, apresentou tantos bons quanto maus resultados, o que só impressiona uma equipe maior se eles vierem acompanhados de altas cifras.

Não sei o que seria de um ano sem Brasil na F1. Assim como não sei como é uma Copa sem a CBF. Ambas as opções quase aconteceram já, mas a primeira é a única que, desde 2013, tem chances reais de acontecer. Em 2018, mais do que nunca.

O que significa tudo isso? Que o novo presidente da CBA, que será eleito este ano, terá de se coçar. Dar um jeito de fomentar torneios e fazer as coisas acontecer. E trazer resultados, algo que a entidade há algum tempo tenta fazer, mas só consegue entregar derrotas.

2018 sem brasileiro na F1 certamente seria a maior delas. E a pá de cal para o início do desaparecimento de autódromos como Brasília e, sim, Interlagos. Há quem diga que o templo não dura mais dez anos. O que pode acontecer. Ou podemos ter sorte.

Mas por quanto tempo?