Uma das melhores corridas que Reginaldo Leme cobriu não foi de Fórmula 1

O ano era 1984, mas a estrela não é quem você está pensando. Faltariam ainda mais de seis meses para Ayrton Senna vencer sua primeira corrida.

A data, mais exatamente, era o dia 6 de agosto de 1984 e a cidade era Los Angeles. Uma segunda-feira, logo após o GP da Alemanha de F1 em Hockenheim, vencido por Alain Prost de ponta-a-ponta, enquanto Nelson Piquet abandonava com o câmbio quebrado e Ayrton Senna sofria seu acidente mais sério até então.

Resumindo: não tem nada a ver com Fórmula 1.

Tem a ver com outra corrida onde o mais rápido vence e que, há poucos dias, esteve em franca evidência: a prova de 800 metros dos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

O personagem 1: Joaquim Cruz.

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O personagem 2: Reginaldo Leme.

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Tanto Regi quanto Galvão estavam em Los Angeles e transmitiram os GPs da Inglaterra e Alemanha off-tube, do estúdio da Globo na Cidade dos Anjos.

Enquanto Galvão narrava tudo o que passava na sua frente (até a mítica chegada de Gabrielle Andersen – a que quase apagou dura desnutrida na linha de chegada durante a maratona feminina – caiu no colo dele sem querer, quando Osmar Santos e Ricardo Pereira saíram da cabine para fazer um lanche), Reginaldo ficou encarregado do atletismo.

Afinal, corrida a quem é de corrida.

E Reginaldo ficou responsável por acompanhar a maior estrela brasileira naqueles jogos, que era Cruz. Só que ele encarava um sério problema em três dos quatro dias dos 800 metros: o atleta não queria falar nem a pau.

A situação de Reginaldo era delicada: Cruz fizera o melhor tempo nas qualificatórias e o novo recorde sul-americano. Ele era um dos três melhores do mundo na ocasião. E o chefe do jornal nunca quer saber: quer as aspas dele.

Reginaldo conta:

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“O Joaquim fazia todas as eliminatórias, passava pela zona mista e dizia para os jornalistas: ‘eu só falo na final’, ‘só na final’, tal.

Em um dia ele parou diante de mim e conversamos com o microfone desligado. Eu pedia para ele: ‘preciso fazer com você, eu vim aqui só para falar com você’.

Ele respondeu: ‘Eu vou falar com você, mas depois da final, não se preocupe. Não quero perder a concentração e quero ficar focado na corrida.’

Eu o respeitei. Quando ele passava por mim nos dias seguintes eu não o importunei, nos comprimentávamos e ele passava direto.

Aí ele fez a corrida, foi ouro, passou por todo mundo e veio direto onde eu estava. ‘Como tinha prometido, vamos fazer’, disse ele.

Foi bem bacana.”

Essa história, com as palavras de Reginaldo, a matéria e a entrevista em questão podem ser vistas clicando aqui no webdoc dos Jogos de 1984 do site Memória Globo (ir até o décimo minuto cravado para ver a história).