Obrigado, Massa! Só me dê menos tapões!

O mundo prestou homenagens nas últimas horas a Felipe Massa, com muitos contando passagens pessoais que tiveram com ele.

Agora é a minha vez, afinal, somos contemporâneos de vida e carreira.

Mas vou começar pelo defeito.

Se tem uma coisa que eu odeio no Felipe Massa é o jeito que ele conversa com os braços. O cara só fala comigo mediante contato, tapas e socos. Alguns leves, outros fortes.

Até hoje não sei se era uma conduta normal ou uma forma de descarregar sua raiva contra os jornalistas!

Além de tapas eu já tomei banho de copo de uísque dele. Aliás, agora é a hora do agradecimento.

A foto abaixo mostra ele vindo me importunar numa ação do evento dele. Ele é o rei do bullying de sua geração, simplesmente por ser o mais boa praça.

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Não fosse por Felipe Massa, eu não teria vivido no epicentro do automobilismo mundial. Em quase todas as edições do seu Desafio das Estrelas eu fiz parte do staff.

Graças a Felipe Massa pude conviver no círculo de amizade dos pilotos. Tanto nas pistas quanto nas festas, uma vez que eles sempre souberam que eu sei dividir o que é trabalho o que é festa, o que é notícia e o que é bobagem.

Sem ele eu jamais teria participado de altas festas com a pilotada. Querendo ou não existe uma conduta de ética e respeito para poder presenciar certas coisas. Bem, eu só queria a vodka na faixa e se alguém quisesse comer cocô eu não tava nem aí.

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Inclusive numa dessas festas dei um porre no Hermann Tilke e joguei ele para umas primas cuidarem. Até hoje não sei como ele foi embora da festa, no meio do nada na região de Penha (SC). Sei que ele sobreviveu, apenas.

Também pude conviver de perto por alguns dias com Michael Schumacher e ver que ele realmente se vestia como um sertanejo universitário de Santo André. Só não podia tirar foto, senão os seguranças dele brucutus quebravam seu telefone. Quase que o celular do Reginaldo Leme foi para o saco em uma vez até o próprio Schumacher ter de intervir.

Pude também trocar palavras e algumas gentilezas com Jules Bianchi.

Graças a Massa que realizei por duas vezes o sonho de ver um brasileiro ganhar em Interlagos. Isso pra mim vale mais que ser campeão mundial. E foram dois momentos únicos.

O silêncio quando Hamilton passou Glock também doeu em mim, pois sabia o quanto isso estava doendo nele.

O dia do acidente foi também difícil, pois boa parte dos amigos dele estavam comigo em uma corrida em Londrina e todos desesperados pediam notícias de meia em meia hora, já que tinha contato direto com o Ico lá na Hungria. Jamais me esquecerei da tensão do Thiago Camilo.

E daqueles dias em geral.

Deixei Felipe puto quando dei o furo jornalístico do campeonato dele, a Fórmula Futuro. Seu assessor Márcio Fonseca só faltou me xingar pois só perguntavam disso para ele e ele não queria falar.

Enfim, no meio disso tudo, Massa sempre parava para me comprimentar nos lugares, ou dava um tapão e perguntava como eu estou, como andava a vida, e despedia com outro tapa.

Por isso eu te agradeço, Massa. Se eu pude me sentir membro da família da F1 por um período, é por tua causa.

Valeu. Só para de me dar soco quando me vê, pois você tem a capacidade de acertar bem no nervo.

PS: você vê quando uma pessoa é foda quando em sua homenagem você fala mais da pessoa que do piloto.