Spa, 1983: de volta à F1 após 13 longos anos

Vamos rememorar um momento pouco lembrado de Spa: quando ela voltou ao calendário após um longo inverno.

Esta foi a primeira corrida da F1 ali desde 1970, quando acabou sendo tirada do calendário por falta de segurança. Esta também foi a primeira corrida do traçado “atual”, com 7km. De lá para cá tivemos mudanças apenas na chicane Bus Stop.

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Um dos motivos, claro, foi a morte de Gilles Villeneuve no ano anterior em Zolder.

A ausência da corrida por 13 anos provocou uma invasão de 80 mil torcedores que viram de perto a nova cara da F1, que estava se convertendo para os motores turbo. E a pista, devemos ressaltar, não estava completamente finalizada em suas reformas.

Em seu relato na revista Motor Sport da época, o jornalista Denis Jenkinson relatou sobre o primeiro dia:

“A natureza do circuito traz o melhor dos pilotos e ver Patrick Tambay, Jacques Laffite e Marc Surer andando com precisão em alta velociidade é um prazer. Keke Rosberg também tinha seu valor, pois ele conseguia arrancar do motor Cosworth V8 o que ninguém conseguia.”

“Andrea de Cesaris era corajoso e rápido, principalmente nas entradas de curva, mas o cara mais sem sal era Alain Prost. Não há um sinal de entrega, velocidade, arrojo, mas, mesmo assim, ele era o mais veloz da pista.”

Roberto Guerrero e seu Theodore também se destacou, andando à frente das McLarens de Lauda e Watson.

No sábado veio a tradicional chuva e todos puderam apreciar a nova Spa com pista molhada. Claro que, por causa disso, ninguém melhorou seus tempos e, desta forma Eliseo Salazar, da RAM-March, e Piercarlo Ghinzani, da Osella, não se classificaram para a prova. Nada demais.

O domingo começou com pista seca e todo mundo aproveitou o warm up para treinar mais na pista seca e também os pit stops: depois que a Brabham causou no ano anterior, outras equipes passaram a pensar na tática, como Williams, ATS, Lotus, Renault, Ligier, Alfa, Ferrari e Toleman.

A corrida teve início às 14h30 com a nova posição de largada (que permanece até hoje), antes da La Source, ao invés da descida do ladeirão, casa agora das categorias suporte. A largada inicial acabou abortada por andeira amarela, mas Prost e De Cesaris não a viram, disparando e sendo devidamente contidos. Com isso, a prova passou de 42 para 40 voltas.

Nesse interim, a Renault reabasteceu os carros no grid, o que rendeu protestos e uma multa de 5 mil dólares. E a corrida foi reiniciada sem Marc Surer, com o câmbio quebrado.

A segunda partida viu De Cesaris tomar a ponta, seguido de Prost, Tambay, Piquet e Winkelhock. E, pasmem, o italiano perdeu a corrida não por bater – ele estava incrivelmente seguro -, mas por um problema com os mecânicos da Alfa. Logo depois ele abandonou com o motor quebrado. E Prost tomou a ponta.

Experts em pit stops, a Brabham jogava Piquet para terceiro lugar, enquanto Rosberg fazia das tripas coração para segurar os carros mais potentes. Porém, o câmbio da Brabham começava a pipocar e o brasileiro cairia para quarto, atrás de Eddie Cheever e Patrick Tambay.

Bernie Ecclestone, então chefe de Piquet, já não era adorado na época e diz a lenda que a torcida celebrava a cada ultrapassagem sofrida pelo brasileiro.

Mesmo andando como um reloginho, os dois carros da Williams não conseguiam se aproximar de Piquet, com Rosberg e Jacques Laffite tendo de se contentar com o quinto e sexto lugares.

A vitória? Ficou com ele, Prost, 23 segundos à frente de Tambay, que passou Cheever na parte final.

No fim disso tudo, eu fico mesmo é impressionado com a cena abaixo:

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De Cesaris apavorando sem bater!