Será que agora vai?

Lucas di Grassi é um baita piloto. Considerado como um dos mais inteligentes que o automobilismo já viu, ele faz parte daquele grupo que em inglês chamamos de “underrated” – tem todas as qualidades, mas nunca conseguiu ser campeão.

Foi assim na Fórmula 3 sul-americana em 2003 contra Danilo Dirani, na GP2 com a Racing Engineering e está sendo assim com a Audi no WEC e a ABT na Fórmula E. Seu período na F1 foi tão infeliz junto com a pobre Virgin que não tem nem como levar em consideração. O pós, com a Pirelli, foi essencial para a marca na F1, mas não rendeu um convite para voltar.

Di Grassi é um dos que sofreram com o gargalo e as exigências além talento que a F1 exige. Teve um timing maldito para estrear e acabou sendo mal-aproveitado. A sua sorte é ter um brio danado, pois ele não vai desistir até conseguir provar a que veio. Tirando a F1, não houve um campeonato em que ele não fosse um dos protagonistas, mas 2016 é o momento em que ele precisa dar aquele passo a mais.

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Obter sucesso na Fórmula E é algo bem mais próximo e palpável que na Le Mans e no WEC. Na E, Lucas só depende dele mesmo e nisso ele dá conta do recado. Assim, como Nelsinho Piquet, um título lá pode fazer uma grande diferença – não em currículo, mas psicologicamente.

Lucas é um piloto e uma pessoa que se cobra demais e muitas vezes isso se voltou contra ele. Seu perfeccionismo e sua falta de paciência para bobagens não fazem dele um queridinho de público e crítica, mas tenho total certeza que, tirando esse elefante das costas, as coisas podem ficar bem melhores.

Sem a pressão pelo tão esperado título mundial, Lucas pode se desamarrar e render muito melhor. Se ele for campeão do WEC e vencer Le Mans no futuro eu não me surpreenderia. Além de ele merecer, por todo o talento que tem, seria um pecado ver ele encerrar a carreira sem um (ou mais) títulos de expressão.

A corrida decisiva da Fórmula E acontece em Londres, no dia 2 de julho. E não tem como não torcer para ele. Faltam dez dias, mas como sei que semana que vem não falarão de outra coisa, preferi me antecipar.

Aliás, eu adoraria vê-lo novamente na F1.

PS: se você está lendo esse artigo depois de 18 de junho de 2017, saiba que não mudo uma vírgula sobre a capacidade e o talento de Lucas di Grassi. Se ele tem problemas para se comunicar com a imprensa e gosta de alimentar energias ruins, aí já é outra história. E reitero que adoraria poder ver ele novamente na F1.