O dia em que Chip Ganassi quase foi para o andar de cima

Todo mundo conhece Chip Ganassi, o gordinho bonachão que lembra o Petter Griffin tanto quanto o Mauricio Gugelmin lembra. E que tem hoje uma das maiores equipes norte-americanas (quiçá do mundo) de automobilismo da atualidade.

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Mas pouca gente sabe que ele foi piloto e quase bateu as botas. Em 1977, ele fez um curso de pilotagem, venceu uma corrida aos 18 anos e traçou seu caminho rumo à IndyCar. E se deu bem nesse início, sendo eleito o piloto que mais evoluiu em 1983 e levando a Patrick Racing a três pódios: dois terceiros em Las Vegas e Laguna Seca, além de um segundo lugar em Cleveland.

Tudo isso até as 500 Milhas de Michigan de 1984. Em um acidente que lembrou muito o de Conor Daly e Josef Newgarden, o carro de Ganassi fez que ia rodar, ele controlou mas aí guinou para a parte de dentro, levando Al Unser Jr. junto com ele, em alta velocidade, rumo ao guard rail interno.

O estrago pode ser visto abaixo:

Ganassi bateu na diagonal no guard rail e ele deu com a cabeça na proteção – o que dá para ver nitidamente. O carro dele se desintegrou completamente. A equipe de resgate teve trabalho para tirá-lo do carro e as condições do piloto não eram das melhores – ele estava desacordado. A situação era dramática e a fumaceira da terra e dos extintores não ajudava em nada.

“Eu tive muita, muita muita sorte, pois minha cabeça bateu no guard rail. Quebrei o esterno, a mão, levei pontos no joelho, me levaram para o Centro Médico da Universidade de Michigan, passei uma noite em coma induzido e internado por uma semana.”

No total, Ganassi sofreu com inalação de fumaça, concussão, clávícula e esterno quebrados além de diversas outras contusões. E, com isso, a carreira dele foi para o vinagre. Ele até disputou mais duas Indy 500 em 1985 e 1986 e correu na IMSA, fez uma 24h de Le Mans (com um Sauber Mercedes) e uma de Daytona, mas a brincadeira para ele, pelo menos dentro da pista, havia acabado.

“Não era um piloto ruim. Na verdade eu fui treinado para os negócios e tinha esse tipo de diversão por cinco ou seis anos, mas nunca me senti realmente preparado para ser um piloto profissional. Quando estava correndo, esta feliz por ter a sorte de competir. Nunca encarei isso como uma carreira.”

Aí chegou 1988, ele comprou uma parte da Patrick, fez parte da equipe campeã da Indy 500 e da temporada de 1989 com Emerson Fittipaldi, formou sua equipe Chip Ganassi Racing em 1990 com o apoio da Target (que permanece até hoje) e o resto é história.

Hoje ele opera na Indy, na NASCAR, na IMSA e no WEC. E poderia muito bem operar na F1, né?