Curiosidades desconhecidas do GP da Austrália

A temporada está chegando… Está chegando a temporada…

E com ela uma das corridas mais empolgantes e imprevisíveis do calendário.

Porém, todo mundo sempre fala a mesma coisa do GP da Austrália (os melhores vencedores, as melhores corridas, etc. e tal). Então, fomos atrás de efemérides mais nebulosas, já que nossa função é entregar o inesperado para o leitor.

Então vamos nessa:

rubens.jpeg

A primeira melhor volta de Rubens Barrichello após 115 GPs

Foi só colocar um carro bom de verdade nas mãos do brasileiro que ele foi lá e mostrou seu cartão de visitas. Rubens Barrichello pode até ser considerado um cara sem sorte na categoria máxima do automobilismo, mas sua velocidade e técnica sempre foram inegáveis. Em seu primeiro GP com a Ferrari, marcou a melhor volta da corrida. Ele iria surpreender muito Michael Schumacher naquele ano até a Ferrari decidir puxar suas rédeas.

Nakajima

A única vez na vida em que Satoru Nakajima foi mais rápido que todos em um GP

Se teve uma corrida caótica na F1, esta foi o GP da Austrália de 1989. Qualquer pessoa que assiste o VT daquela prova diz que ela não teria nem sido autorizada hoje em dia. Largada com carros soltos na pista, muitos acidentes (como a clássica pancada de Ayrton Senna em Martin Brundle) e abandonos voluntários (como o de Alain Prost na primeira volta) foram registrados. Confira este início de prova inacreditável clicando aqui.

Porém, em uma das corridas com as condições mais adversas de todos os tempos, brilhou a estrela de Satoru Nakajima. Com um Lotus Judd dos mais porcos e fracos, que o deixou fora de várias corridas, ele ainda somou três pontos com a quarta posição.

O exato momento em que ele marca sua melhor volta pode ser visto clicando aqui.

morbidelli

O improvável pódio de Gianni Morbidelli e o único ponto de Pedro Lamy

O GP da Austrália de 1995, o último em Adelaide, teve de tudo.

Foi uma das corridas mais confusas de toda aquela década, com Damon Hill vencendo com duas voltas de vantagem sobre a Ligier de Olivier Panis, que estava com o motor soltando muita fumaça, e outros fatos como o acidente pavoroso de Mika Hakkinen nos treinos e a batida imbecil de David Coulthard, quando liderava, no muro dos boxes, durante sua entrada para o pit stop.

Nem aí para isso, Morbidelli mandou ver. Ganhou uma ajudinha de Mark Blundell – uma âncora com sua McLaren, que segurou todo mundo atrás dele (isso rendeu um gesto bem bonito de Heinz-Harald Frentzen)-, e completou o pódio em terceiro de forma até que segura.

Outro marco importante daquela corrida coube a Pedro Lamy, que se tornou o primeiro português a pontuar na F1 com o sexto lugar pela Minardi, mesmo rodando DUAS VEZES EM SEGUIDA em determinado momento da prova. Foi seu único ponto e por pouco ele não somou dois: chegou menos de dois segundos atrás da Tyrrell de Mika Salo.

Os minutos finais desta prova podem ser vistos clicando aqui.

Streiff.jpeg

O único pódio da vida de Philippe Streiff

A primeira edição do GP da Austrália, em 1985, foi uma provação a pilotos e equipes. Era a época dos superturbos e os carros costumavam quebrar. No sol forte das ruas de Adelaide, o que mais aconteceu foi isso.

Todo mundo foi ficando pelo caminho: Ayrton Senna, Nelson Piquet, Alain Prost, Niki Lauda, Nigel Mansell… Tirando Lauda, que bateu, todos tiveram problemas mecânicos. Foi quando Philippe Streiff se viu com a melhor chance da vida.

Sem vaga fixa naquele ano, Philippe Streiff foi chamado para substituir o destruidor Andrea de Cesaris na Ligier, Streiff chegou a disputar também uma prova pela Tyrrell, no lugar de Ivan Capelli, mas ele nunca havia tido uma chance tão boa como esta.

A pressão toda só se dissipou na bandeirada do vencedor Keke Rosberg: Streiff era o último dos pilotos na pista na mesma volta do líder (o outro era o companheiro Jacques Laffite, que chegou em segundo) e, com a bandeirada, o quarto colocado, Capelli, já um retardatário, nada poderia fazer. Este pódio garantiu o piloto na F1 até o acidente que o deixou em uma cadeira de rodas, durante testes no extinto Jacarepaguá em 1989.

Streiff recebeu a bandeirada com 1min28s536 de desvantagem para Rosberg, enquanto o tempo da pole position de Ayrton Senna foi de 1min19s843. Será que o francês curtiu bem sua última volta na vida em terceiro lugar?

Relembre a prova clicando aqui.

rosberg.jpeg

O palco das grandes zebras da temporada

Geralmente no GP da Austrália acontecem coisas que ninguém espera. Assim foi a primeira vitória de Eddie Irvine em 1999, por exemplo.

Ou os primeiros pódios de Nico Rosberg (2008 com a fraca Williams), Vitaly Petrov (2011 de Renault) e Kevin Magnussen (2013 de McLaren), todos jamais imaginados, sem contar os já citados Streiff e Morbidelli, além dos desempenhos dos estreantes Jacques Villeneuve (segundo em 1996 pela Williams), Lewis Hamilton (segundo em 2007 pela McLaren) e Brawn GP (pole, dobradinha e melhor volta em sua estreia, no ano de 2009).

Tudo isso mostra que realmente vale a pena ficar acordado de madrugada para ver o GP da Austrália.