Lembranças de uma estreia (e um recorde até hoje insuperável) no “velório” de Curitiba

Se a música “Diário de um Detento”, dos Racionais MC’s, contasse a vida de Thiago Camilo (seria, no caso “Diário de um piloto”), uma parte da famosa música diria assim:

“Graças ao Leandro, ao Bruno e ao Kiko.
Estreei aos 18 anos, seis meses, três dias.
Agora a pista já está desativada,
Desde o mês de junho ninguém abre pra nada.”

A gente explica. No dia 23 de março de 2003, no circuito de Curitiba, com 18 anos, seis meses e três dias, Thiago Camilo entrou para a história da Stock Car ao ser o mais jovem a alinhar em uma corrida da categoria com um carro preto e prata com o patrocínio da banda KLB, cujos integrantes são parentes do piloto.

Como o fim de semana marca a última corrida da Stock no local – ou o velório do autódromo -, fomos ouvir o que Camilo sente ao ver um pedaço tão importante de sua história ir embora, além de ouvir algumas historinhas boas daquele fim de semana.

“Seria bom ter outro autódromo aqui, mas também falaram o mesmo no Rio e não acredito que isso vá acontecer. É uma perda, mesmo.”

Vamos nessa?

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Como você recorda aquele fim de semana?
Ali ainda era um sonho de menino, né… Foi quando decidi sair do kart, não tentar formula e me direcionar para o turismo. As lembranças são boas, foi um fim de semana atípico pra caramba, vários problemas, andava em uma equipe com orçamento limitado, não era compatível com os times de ponta e muitas coisas aconteceram ali que serviram de experiência para a temporada inteira. Foi um ano difícil, destruí dois carros! Foi um pouco de imaturidade e vontade de acelerar, posso dizer assim. Mas foi um fim de semana legal. Tenho uma foto desse carro guardado.

Alguma lembrança latente?
O que me lembro muito [e que nos treinos estava com um problema de ‘falhação’ e não descobrimos de jeito nenhum. Demorou muito para descobrirmos que era o tanque e, curiosamente, a gente levou o tanque de combustível pro Meinha, hoje dono da minha equipe e que fica no mesmo lugar. Ele ajudou a gente a solucionar este problema. A gente ficou preso no fim de semana por causa disso, desenvolvemos pouco o carro, larguei para trás e serviu de experiência.

E como você vê uma parte de sua história ir embora?
Para nós pilotos, a parte triste é isso. Quando acabou o autódromo de Jacarepaguá todo mundo ficou sensibilizado e aqui é a mesma coisa. Só que, neste caso, a gente já estava esperando. Felizmente nasceu um autódromo em Minas Gerais, mas nunca será substituto daqui. Seria bom ter outro autódromo aqui, mas também falaram o mesmo no Rio e não acredito que isso vá acontecer. É uma perda, mesmo. Curitiba tem grandes pilotos como o Augusto Farfus que nos representa lá fora e equipes, o Tarso Marques, o Ricardo Zonta e agora o Gabriel Casagrande representando a nova geração. Não tem como dimensionar essa perda.