Histórias que você não lembra: Michele Alboreto e a Indy

Neste ano são completados 15 anos da morte de Michele Alboreto. Vice-campeão da F1 em 1985, ficou marcado pela apatia com a qual disputou a segunda metade de sua carreira na categoria máxima, minguando pela Ferrari e se arrastando por Tyrrell, Larrousse, Footwork, Scuderia Italia e Minardi.

Após ver que sua história na F1 estava acabando que Alboreto tratou de tatear outras opções para seu futuro. Seu primeiro tiro foi o DTM, um desastre: 20 corridas, quatro pontos e a 22ª na tabela.

Foi quando surgiu Indianápolis.

A Fórmula Indy tinha acabado de selar o fim de sua fase de ouro com uma disputa estúpida que resultou em dois campeonatos, a CART (ou Champ Car, ou Fórmula Mundial por aqui) e a IRL (ou Indy Racing League, ou “a verdadeira Fórmula Indy”, nas palavras de Luciano do Valle).

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Alboreto com o March da Truesports em Fiorano

Não era a primeira vez que a Indy aparecia na vida do italiano. Em 1987, uma crise quanto ao Pacto de Concórdia motivou Enzo Ferrari a tentar trocar de lado (ou ameaçar, nunca soubemos bem).

Ferrari contatou a Truesports, equipe de Bobby Rahal e fez o time importar um de seus March-Cosworth para dois dias de testes de Fiorano, onde Alboreto pilotou um pouco o carro antes de Rahal, com a Ferrari copiando tudo.

Depois de tentar tirar Adrian Newey da March para construir seu carro, foi Gustav Brunner que projetou um Indy de Maranello. No meio dessa guerra, Alboreto testou duas vezes o carro, que foi elogiado pelo desempenho parecido com o de Rahal.

No fim, o carro não vingou, mas o motor foi usado por nomes como Roberto Guerrero, Danny Sullivan e Al Unser durante cinco anos – incrível isso, não?

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Depois desta experiência, Alboreto, já de cabelos brancos, recebeu um convite de Andy Evans, dono da equipe Scandia para a temporada 1996 da IRL, que consistiu de somente três etapas. Evans havia se juntado com Dick Simon e colocado nada menos que sete carros no grid, um recorde – ficou meio nítido também o esforço para fazer acontecer não só a prova como o campeonato todo e ajudar Tony George, então líder da IRL, a não dar vexame diante da CART. E, no fim, o vexame ficou com a rival, em história que contaremos mais para a frente.

Na minha idade, ser um estreante é demais!

Com isso, aos 39 anos Alboreto foi para essa nova experiência e pareceu gostar: um quarto lugar após sair em 14º e 65 mil dólares de prêmio na primeira etapa, no Walt Disney World, deram a (falsa) impressão de que ele pudesse recomeçar na Indy. O oitavo lugar em Phoenix após largar em último só aumentou isso. Mas uma coisa são esses ovais comuns, outra coisa é a maior corrida do mundo, e Alboreto sentiu isso na pele.

Com 16 estreantes no grid, Alboreto obteve um bom 12º lugar – era 13º, mas subiu uma com a morte do pole Scott Brayton nos treinos. Porém, na corrida, ele devia ter mais coisa para falar era do teste de 1986 com a Ferrari: sua corrida teve somente 43 voltas por conta de um problema de câmbio. E, com 189 pontos, ele terminou a primeira temporada dele na Indy em 11º. É até difícil encontrar informações sobre esta participação.

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Alboreto em Las Vegas

A segunda temporada dele começou muito bem, em 1997, com um terceiro lugar na etapa de New Hampshire e um quinto lugar em Las Vegas, mas algo o incomodava. Mesmo com cinco provas, um pódio em três “top 10”, Alboreto sentia que a IRL era mais um mico do que um palco para seu renascimento. Foi quando ele recebeu um convite da Audi e mandou aquele abraço para Tony George.

Em um ano, Indianápolis, no outro, Le Mans. Alboreto estava também realizando sonhos. Ele só não imaginaria que o sonho francês seria bem melhor que o americano, com vitória logo de cara em Le Mans. A partir de então, ele encontrou o seu caminho com a Audi no endurance. Pena que esse caminho o levou a perder a vida em testes com este protótipo, em Lausitzring, quatro anos depois.

PS: uma curiosidade que descobri fazendo essa pesquisa – o lindo capacete de Alboreto foi inspirado em Ronnie Peterson.