Momentos de Roberto Pupo Moreno que você provavelmente não sabe

O dia 11 de fevereiro marca o aniversário do maior anti-herói do automobilismo brasileiro, Roberto Pupo Moreno. Provavelmente o piloto mais competente e menosprezado da história do automobilismo brasileiro, Moreno tem uma história de vida maior e melhor que muito campeão por aí, que merece ser lembrada e perpetuada.

Infelizmente, Moreno também é uma prova de como o automobilismo pode ser cruel quando você não possui aquele QI (quem indica), conseguindo tudo o que teve no braço – o que merece ser louvado sempre.

Sendo assim, fizemos uma lista com curiosidades de sua carreira que muita gente não sabe. Segura aí!

Moreno na F3, em 1981
Moreno na F3, em 1981

1979/80/81 – Causando na Inglaterra
Depois de ser campeão brasileiro de kart em 1976, ele foi correr de F-Ford na Inglaterra como piloto, mecânico e motorista do trailer. A dedicação empolgou o tradicional dirigente Ralph Firman, que o contratou para correr em sua equipe, a Van Diemen, chegando a vencer o F-Ford Festival.

Moreno e Elio de Angelis em Zandvoort, 1982
Moreno e Elio de Angelis em Zandvoort, 1982

1982 – Contratado pela Lotus
Os bons desempenhos de Moreno na F3 e na F-Ford chamaram a atenção de ninguém menos que Colin Chapman, que o assinou para ser piloto de testes assalariado – o que ajudou a financiar parte de sua caminhada na F3 e nos EUA. Pena que ele nunca teve espaço para disputar uma prova e, quando tentou no Canadá após um problema com Nigel Mansell, não teve o melhor dos equipamentos e foi liberado no fim do ano.

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Moreno de F-Atlantic, quando duelava com Michael Andretti, 1983

1983 – Duelo com Michael Andretti
Nos EUA, Moreno se aproximou da equipe Theodore na F-Atlantic e, mesmo tendo perdido o patrocínio, teve o apoio do dono do time, que o arrumou outra vaga e ele disputou o título contra Michael Andretti. Por conta do esquema provisório, Moreno deixou de disputar algumas provas, o que foi vital para suas esperanças.

Moreno testa pela Toleman no Estoril, 1984
Moreno testa pela Toleman no Estoril, 1984

1984 – Teste com a Toleman
Moreno foi andar de F3 na Europa e foi convidado por Ron Tauranac para correr pela Ralt, uma potência na época. Isso levou o brasileiro a ser avaliado pela Toleman e, após bons testes com o carro que era de Ayrton Senna, problemas internos da equipe impediram sua estreia na F1 em 1984 – só não sabemos se seria no lugar do próprio Senna, que chegou a ser suspenso por ter assinado com a Lotus sem avisar (se puder, diga aí, RPM). Por outro lado, naquele ano, correu em Le Mans pela equipe Skoal Bandit, um dos grandes nomes da história do endurance.

Moreno pela Galles na Indy, em 1985
Moreno pela Galles na Indy, em 1985

1985 – Fórmula Indy
Apesar do noviciado, Moreno já era um cara de respeito no automobilismo e com um baita currículo. Neste ano, ele foi contratado pela equipe Galles para correr nas pistas mistas e logo em sua primeira participação, em Elkhart Lake, largou de terceiro e liderou a prova, mas rodou. Foram cinco corridas naquele ano e um quinto lugar como melhor resultado em Miami. Ele voltaria depois para viver a melhor fase de sua carreira por lá. Veja a corrida de Road America inteira clicando aqui. 

Moreno pela AGS, em 1987
Moreno pela AGS, em 1987

1987 – Estreia na AGS
Cinco anos depois da mal-sucedida tentativa pela Lotus, Moreno teve sua grande chance pela AGS nas duas últimas provas, substituíndo Pascal Fabre. A equipe, apesar de tradicional, possuía um carro muito ruim, mas Moreno conseguiu a proeza de dar ao time seu primeiro ponto na F1 com o sexto lugar no GP da Austrália.

Campeão sem patrocínio na F3000.
Campeão sem patrocínio na F3000.

1988 – Ganhando na F3000
Para dar um passo pra frente, em várias oportunidades Moreno teve de dar dois passos para trás. Mesmo com quilos de experiência na Lotus, na Indy e em Le Mans, Moreno teve de trilhar novamente o caminho da base em 1987 e 1988, vencendo no último ano o título com louvor – o que no fim não rendeu muita coisa…

Moreno testa Ferrari em 1988
Moreno testa Ferrari em 1988

1988 – Testando pela Ferrari
Para quem vê hoje os câmbios borboleta funcionando perfeitamente nos carros atuais, saibam que quem desenvolveu esse sistema foi ninguém menos que Roberto Moreno, que passou esse ano inteiro trabalhando no carro de 1989 – o que rendeu ao time uma vitória na primeira corrida daquele ano, no Rio.

Moreno em Montreal com a Coloni.
Moreno em Montreal com a Coloni.

1989 – Sofrendo pela Coloni
Não adiantou ser campeão da F3000 em um carro sem patrocínios. Por algum motivo, as equipes da F1 não queriam Moreno e ele teve de se contentar com a ambiciosa, porém mal-sucedida Coloni, conseguindo largar apenas quatro vezes.

Moreno com a Benetton em Adelaide, 1990
Moreno com a Benetton em Adelaide, 1990

1990 – A grande chance
A década começou com Moreno se arrastando pela Eurobrun, impressionando ao colocar um carro tão ruim no grid (algo que ele repetiria pela moribunda Andrea Moda e pela Forti Corse) e o destino finalmente decidiu ajudá-lo. Não da melhor forma, pois a vaga na Benetton, após indicação do amigo Nelson Piquet, só veio quando Alessandro Nannini quase perdeu o braço em um acidente de helicóptero. O segundo lugar em sua primeira corrida, no Japão, garantiria sua permanência pelo time em 1991. Mas a salvação se tornou um filme de terror.

Moreno em sua última prova pela Benetton, em Spa, 1991.
Moreno em sua última prova pela Benetton, em Spa, 1991.

1991/92 – Moeda de troco
Sim, está certo o que foi escrito: moeda de troco. Apesar de ter andado muito bem, Moreno viu que na F1 também existem canalhas e virou troco nas transações que envolveram Benetton, Jordan, Minardi e Michael Schumacher. Mesmo apresentando bons desempenhos. Com isso, ele acabou relegado novamente aos times pequenos e foi escalado para salvar a Andrea Moda. Por incrível que pareça, ele se classificou em Mônaco antes de o dono do time ser preso.

Moreno celebra vitória em Miami com Max Papis, em 2000.
Moreno celebra vitória em Miami com Max Papis, em 2000.

1995/2007 – A vida nos EUA
Moreno chegou a correr uma prova de Stock Car em Jacarepaguá no ano de 2006, mas seu foco e renascimento veio na Indy, a mesma onde despontou em 1985. Foi lá que conseguiu seu grande destaque ao correr por times grandes como Newman-Haas, Patrick, Vision e Herdez, vencendo duas provas e chegando a lutar pelo título em 2000, além de atuações fantásticas como o terceiro lugar na US 500, principal prova do ano, pela modestíssima Payton-Coyne.

Moreno como coach de Lucas Foresti, em 2011.
Moreno como coach de Lucas Foresti, em 2011.

Hoje em dia – consultor técnico
Moreno ama o automobilismo e insiste nele. Hoje em dia trabalha bastante como coach de pilotos e no desenvolvimento de categorias de base, como a Fórmula Inter, campeonato de monopostos que estreia este ano.

Em um universo onde o interesse e o dinheiro infelizmente mancham a qualidade do espetáculo e tiram proveito da paixão das pessoas pelo esporte, Roberto Pupo Moreno é um banho de caráter, disciplina, honestidade e competência.

Vida longa!