Grandes músicas brasileiras que falam de motor – II

Brasileiro é apaixonado por motor, como diz o comercial, e muitos deles fizeram questão de colocar isso em suas músicas. Depois de nossa primeira lista abre-alas, confira mais algumas músicas marcantes do nosso cenário músical que possuem alta octanagem.

Camisa de Vênus – Simca Chambord

Vamos deixar o próprio Marcelo Nova falar sobre a música: “Minha idéia foi usar o Simca Chambord como uma metáfora, e não como o veículo em si. Na metade dos anos 60 o Simca Chambord era o objeto de desejo da classe média brasileira, como seria hoje uma TV de LCD de 42 polegadas. Era um carro diferenciado com um design muito bonito. Mas, ao mesmo tempo, aconteciam coisas que estavam mudando o rumo do país. A música conta esta história. Meu pai andava de DKW.

“O Simca Chambord simbolizava a esperança, o desejo de um país melhor. O meu pai andava de DKW.”

“Quando fiz a música em parceria com o artista plástico Miguel Cordeiro, vinte anos depois, quis falar dos anos 60 com uma certa ingenuidade que se vivia naquela época, a crença de que o país iria se desenvolver de uma maneira positiva. E o Simca Chambord simbolizava tudo isso. A letra fala: “Eu vi um futuro melhor, no painel do meu Simca Chambord”. Em seguida, destaca as mudanças vividas na sociedade com a chegada do regime militar. “Ninguém saía de casa e as ruas ficaram desertas. Eu me senti tão só dentro do Simca Chambord”.

Mutantes – Dune Buggy

Um dune buggy é um buggy de chassi aberto, criados originalmente para desertos abertos ou praias. Arnaldo Baptista, o cabeça do grupo, possuía um desses nas cores da bandeira dos Estados Unidos. Bem gritante, bem mutante.

Detalhe importante: quem toca bateria nessa música é Dinho Leme, irmão de Reginaldo Leme, nossoo eterno comentarista de F1.

Wilson Simonal – Carango

Principal showman de sua época, Simona fazia questão de ostentar com carrões para mostrar à sociedade que um negro poderia tomar conta da parada. Até cair numa arapuca e passar a viver no ostracismo.

Ultraje a Rigor – Fusquinha do Itamar

Em 1993, Itamar Franco decidiu apoiar a volta do Fusca! E isso aconteceu por três anos, até 1986. Ligeiro, Roger não perde um tempo para fazer uma ironia com a situação desesperadora do país na época – só que sem criar intrigas neste caso. E no início da música eles inserem um trecho de “Road Hog” misturado com uma imitação de Roberto Carlos.

Made in Brazil – Gasolina

A incansável banda brasileira de rock, que completa a incrível marca de 50 anos de existência, fala sobre o grande dilema de nossas existências: como vou comprar um Rolls Royce se não tenho dinheiro para a gasolina?