Lendas velozes: Alex Crivillé

Se Marc Marquez é o que é, ele tem de agradecer a Alex Crivillé. Foi este piloto que, há 15 anos, escancarou de vez as portas da motovelocidade para a Espanha, um país que sempre foi apaixonado pelas duas rodas.

A Espanha sempre produziu muitos pilotos de qualidade, porém eles só batiam na trave. Nomes como Angel Nieto e Jorge Martinez Aspar se refestelaram nas divisões de base, mas não passaram de algumas vitórias na divisão principal. Até Crivillé.

Contemporâneo de Alex Barros, Crivillé estreou na divisão principal em 1992, três anos após ser campeão da 125cc em sua terceira temporada na carreira. E a vitória veio logo em sua oitava corrida na então chamada 500cc, em Assen.

Durante toda sua carreira, o espanhol fez parte da Honda e participou da criação da Repsol Honda, ao fim de 1994. Entre 1995 e 1998 foram sete vitórias e um vice-campeonato no ano de 1996, perdendo para Mick Doohan.

Até que veio 1999.

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Enquanto nas 250cc uma estrela nascia em Valentino Rossi, todos esperavam um domínio de Mick Doohan nas 500cc. Apesar de o grid ser fantástico (com Kenny Roberts Jr., Max Biaggi, Sete Gibernau, Luca Cadalora e Barros, entre outros), poucos apostariam em um insucesso da lenda australiana.

Porém, o Doohan bateu feio nos treinos para o GP da Espanha, apenas a terceira prova do ano e abriu o caminho para o espanhol, que venceu quatro provas seguidas logo de cara, conseguindo abrir uma vantagem segura para Roberts Jr. Mais duas vitórias e seis “top 5”, Crivillé se tornou campeão de forma antecipada com um sexto lugar na extinta pista carioca de Jacarepaguá.

“Hoje se ganha nas três categorias, mas naquela época era bem diferente. Foi quando perdemos o medo de italianos e australianos. Lutamos para isso. E isso valerá para sempre.”

Alex Crivillé

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E esse título de Crivillé abriu a porta para outros grandes nomes das duas rodas, como Sete Gibernau, Carlos Checa, Dani Pedrosa, Jorge Lorenzo e Marquez, sem falar a nova geração, de Tico Rabat, Alex e Pól Espargaró e Alvaro Bautista, só para citar alguns, que fizeram questão de manifestar a admiração por Crivillé.

“Ele significa muito para nós. Antes dele, a MotoGP parecia feita para os outros países, menos para a Espanha.”

Marc Marquez

“Foi o ano que comecei a correr profissionalmente, tinha só 13 anos. Mas foi o ano em que as portas foram abertas. Já tinhamos Nieto e Aspar, mas ninguém tinha sido campeão. Quando ele fez, vimos que eramos capazes de triunfar nas grandes.”

Dani Pedrosa